Publicado por: Vinícius | outubro 25, 2009

Apostila de Ponto Cruz

1 – Tecidos, medidas e amanho dos bordados

São usados dois tipos de tecido para ponto cruz: tecidos com trama quadriculada, especiais para ponto cruz e tecidos com trama a fios contados, que servem para vários tipos de bordado. Este segundo tipo tem uma trama de fios bem visíveis, e para formar o ponto deve-se contar os fios, pegando 2 fios na altura e 2 fios na largura (usualmente; esta contagem pode variar).

As medidas destes são dadas em número de fios por centímetro. Assim, no cânhamo com 10 fios por centímetro, cabem 5 pontos em 1 centímetro ( bordado que pega 2 fios ou, como é mais conhecido, bordado a 2×2). Todos os tecidos de trama a fio contado devem ser trabalhados pegando- se no mínimo 2 fios.

Os tecidos de trama quadriculada têm suas medidas expressas pelo número de quadradinhos – cada quadradinho recebe 1 ponto. A dificuldade é que as medidas em centímetros não dão números inteiros. Há duas maneiras de solucionar o problema. A primeira é usada na Europa e consiste em fazer os cálculos usando 10 cm. como padrão, obtendo-se, então, um número inteiro. A segunda, e melhor, solução é usar o sistema de medidas inglês e americano: polegadas. A conta fica mais fácil, por que o número de pontos é sempre inteiro e a margem de erro fica menor.

Para saber a quantidade de tecido necessária para um bordado, ou para saber de que tamanho vai ficar, é preciso primeiro saber quantos pontos tem o esquema que se pretende bordar. Deve-se contar os pontos do esquema na altura e na largura (vertical e horizontal). A fórmula de cálculo é simples: divide-se o total de pontos da altura pelo número de pontos que cabe no tecido. A mesma conta é feita com o total de pontos da largura.

Exemplo
Esquema com 50 pontos de altura e 70 de largura, para fazer um quadro, a ser bordado em Panamá grosso.
Cálculo feito em polegadas. Uma polegada = 2,54 cm
1 polegada = 11 pontos
Altura – 50 / 11 = 4.54 pol. x 2,54 = 11,54 cm.
Largura – 70 / 11 = 6,36 pol. x 2,54 = 16,16 cm.

O bordado terá 11,54 x16,16 cm de tamanho; acrescentando-se 5 cm de cada lado para emoldurar, fica um retângulo de 26,16 x 21,54 cm. Agora a conta pode ser arredondada – 27 x 22 cm É preciso, sempre, saber o que se deseja fazer com o bordado depois de pronto, de modo a poder calcular o tecido. A folga” varia, de acordo com o que se vai fazer.

Para saber quantos pontos cabem no tecido, deve-se pegar a ourela do tecido, e marcar na horizontal (perpendicular à ourela) 1 polegada. Bordar esta polegada e depois marcar 1 polegada na vertical, paralela à ourela. Bordar esta polegada vertical. Contar os pontos, na horizontal e na vertical. O resultado do bordado deverá ser um “L”, medindo uma polegada na altura e 1 polegada na largura. O número de pontos que cabe no tecido é, regra geral, determinado pelos pontos dados na horizontal. Borda-se a vertical para conferir a regularidade da trama: a diferença aceitável é de apenas um ponto. A vertical costuma dar 1 ponto a mais que a horizontal. Em todo caso, a melhor regra para tecidos irregulares é – vale sempre o menor número.

1 – Agulhas e fios

As agulhas mais indicadas para bordar ponto cruz são as que não têm ponta. Estão diponíveis no mercado naciomal em três calibres: 24, 26 e 28. Quanto maior é o número, mais fina é a agulha.

Os fios mais usados são de algodão, do tipo mouliné. Existem 3 marcas disponíveis no mercado nacional: Anchor (Coats Corrente), DMC e Maxi Mouliné (Círculo). Cada uma destas marcas apresenta uma variedade imensa de cores.

Para bordar com meadas de fio mouliné é necessário separar a quantidade fios desejada- cada meada é feita com um “cordão” frouxo, composto por seis fios separáveis. Cuidado com os nós. Veja na parte sobre Arremates como deve ser retirada a linha da meada.

O calibre (grossura) da agulha é função do tecido e da linha. Quanto mais fino o tecido (ou com quadradinhos menores) e a linha, mais fina deve ser a agulha.

Eu uso os seguintes critérios:

  • Tecidos com até 14 pontos por polegada – agulha 26 e dois fios de linha mouliné para ponto cruz, 1 fio para os contornos.
  • Tecidos com 16 ou mais pontos por polegada – agulha 28 e apenas um fio de linha na agulha, tanto para o ponto cruz quanto para os contornos.
  • Agulha 24 – apenas para bordar com linhas do tipo perlé, e nunca para ponto cruz.

O número de fios que se deve usar na agulha depende do tecido. Depende também do critério pessoal de cada bordadeira, sobre que tipo de efeito quer dar no bordado. Eu gosto de bordados que pareçam estampas no tecido, sem relevo. Por isto sempre bordo com apenas 1 ou 2 fios na agulha. Este é um critério pessoal, o melhor modo de descobrir qual é o seu é bordar amostras do mesmo esquema com diferentes quantidades de fio.

Muitas vezes o bordado com fios muito grossos ou com excesso de fios de mouliné esconde irregularidades e erros nos pontos. É parte da habilidade técnica da bordadeira saber usar a tensão correta nos pontos dados, de modo a não distorcer a trama do tecido e nem deixar os pontos frouxos.

2 – Bastidores e acessórios

Adoro bastidores! Tenho montes deles e não consigo nem começar a pensar em bordar sem um bastidor na mão. A qualidade que o uso do bastidor confere ao trabalho é inegável. Nem todos conseguem ter aqueles pontos bonitos e regulares -é a tal história da “mão boa”. Um bastidor acaba com isto sem muitos problemas.

Eu costumo chamar o primeiro dia de aula com uma nova turma de ponto cruz de “A Guerra do Bastidor” – ele são de uso compulsório em minhas turmas. E o pessoal reclama muito no primeiro dia – mas só primeiro. Depois de adquirir o hábito de usar bastidor, fica impossível bordar sem ele.

Grande parte do problema dos bastidores é o movimento de entrada e saída da agulha. Existem dois métodos.

  • Enfiar a agulha com a mão por cima do bastidor e pegar por baixo. É improdutivo, aumenta a possibilidade de sair com a agulha no lugar errado e muito chato. Mas pode ser mais fácil, para quem tem dificuldades com o manuseio da agulha.
  • Entrar e sair com a agulha no mesmo movimento, como se faz com a costura. Fica fácil quando se aprende que quanto mais na ponta da agulha se pega, mais fácil é o movimento: basta usar o pulso para dar o ângulo correto para a entrada e saída da agulha. Este é o melhor método, a mão só vai para o avesso na hora de arrematar.

O bastidor deve ter trava, isto facilita o trabalho de colocar o tecido. O melhor é usar um bastidor de tamanho adequado à sua mão.

Os acessórios mais importantes são:

  • tesoura de ponta fina
  • cartelas plásticas para enrolar as meadas de linha – não esquecer de marcar os números que identificam as cores
  • caneta para marcar tecido – atençao, trata-se de uma caneta especial para bordado, cuja tinta desaparece sozinha ou com água pura.
  • caixa com divisórias para guardar as linhas enroladas na cartela plástica.

Existem, literalmente, centenas de acessórios para bordado. Mas os essenciais são estes.

Como e onde começar

1 – O meio do esquema

Por onde começa? Esta é uma das maiores dúvidas das bordadeiras. É bem fácil: começa pelo meio. Sempre.

Publicações de boa qualidade informam sobre o número de pontos do bordado e nos esquemas o meio costuma vir indicado por flexas. É só encontrar o lugar em que a flexa horizontal se cruza com aflexa vertical – este é o meio exato do gráfico.

Caso a publicação não ofereça estas informações primeiro reclame com o editor e depois conte os pontos verticais e os horizontais. Divida ambos os resultados em dois e posicione as flexas.

Usualmente os esquemas são impressos em um quadriculado que separa blocos de 10 quadrados com linhas em negrito, o que facilita a contagem. Certifique-se de que delimitou corretamente sua contagem.

2 O meio do tecido

Supondo que o tecido já esteja cortado na medida certa – veja como fazer isto na parte que fala das medidas e tamanhos do bordado, isto é fácil.

Dobre o tecido ao meio no sentido da largura e marque a linha de dobra com alinhavos, caneta para marcar tecido ou alfinetes. Dobre novamente, agora no sentido da altura e marque a linha de dobra. O meio vai ser o lugar em que estas linhas se encontram.

Marcado o meio do gráfico e o meio do tecido, é só localizar exatamente no meio do tecido o ponto indicado pelo meio do gráfico. Agora só falta localizar a carreira a ser feita.

Uma carreira de ponto cruz é o maior conjunto de pontos dados com a mesma cor e que estão grudados uns nos outros.

  • Carreira horizontal mostra os pontos grudados pelas laterais
  • Carreira vertical mostra os pontos grudados pelas partes superiores e inferiores
  • Carreira diagonal mostra os pontos grudados pelos cantos

Procure comecar o trabalho por uma das pontas da carreira em que está localizado o ponto central.

  • Evite começar uma carreira pelo meio, encontre uma de suas extremidades.
  • Evite contar desnecessariamente, isto costuma aumentar a margem de erro.

Para continuar o trabalho, borde a carreira que está mais próxima dos pontos já feitos, mudando de cor se for o caso. O bordado caminha do meio para fora.

Pontos especiais

A – Pontos de contorno

Estes pontos servem para dar maior nitidez ao desenho; o contorno é como um sublinhado no bordado, servindo também para dar forma e profundidade ao desenho. Os esquemas apresentam uma linha mais grossa nos lugares em que deve passar o contorno. Volte aos esquemas dos corações e observe que as bordas de todos eles estão com uma linha mais cheia: todos devem ser contornados.

Os pontos de contorno podem ser usados de modo decorativo, em desenhos geométricos, ou ainda para fazer ramos e hastes de flores. O uso é ilimitado.

São mais conhecidos os pontos Medici e atrás. Este último é o mais usado e o que delineia melhor o desenho. A escolha de um ou de outro é definida pelo avesso: o ponto Medici não tem avesso, ficando idêntico ao direito. Podem ser feitos em qualquer direção. Ambos os pontos são executados pelo lado direito do trabalho, podendo ser iniciados em qualquer ponto, sendo feitos em qualquer direção. Usa-se apenas um fio de linha para contornos, especialmente se a cor for escura. Isto só muda se o bordado for realmente grosso.

O ponto Medici é também conhecido como ponto Holbein, ou Escrito, ou ainda ponto linear. É bordado em carreiras de ida e volta, passando por cima e por baixo de igual número de fios de tecido. É como fazer um alinhavo, em que a carreira de ida deixa espaços sem bordar, que serão preenchidos na carreira de volta.

O ponto atrás pode ser executado em tecido de fios regulares vertical, horizontal e diagonalmente. A agulha sempre sai atrás do local em que está a linha e entra na frente dela, de acordo com os furinhos da trama do tecido e com o esquema que se está bordando.

B – Nozinho Francês

Usado especialmente para fazer olhos de pequenos animais, pistilos de flores. Muito usado para a decoração de motivos variados. É representado, no esquema, por uma bolinha que nunca está dentro de um quadradinho, mas na intercessão de 4 pontos. Saia com a agulha no furo indicado pelo esquema que está sendo executado; coloque a agulha na frente da linha e dê uma volta com a linha em torno da agulha; entre com a agulha na trama do tecido, em ponto bem próximo daquele da saída. Segure as laçadas junto ao tecido até puxar toda a linha para baixo. Para aumentar ou diminuir o tamanho do ponto, aumente ou diminua o número de fios na agulha – nunca aumente o número de laçadas.


Técnicas de arremate

1- Iniciais

A – Argolinha

Para fazer a argolinha é necessário ter o fio de linha dobrado – tirar apenas 1 fio de linha da meada, com o dobro do tamanho desejado e dobrar ao meio. Passe as duas pontas pela agulha e use a dobra para o arremate. Pelo direito de tecido, inserir a agulha no local de início do ponto e sair, como se estivesse fazen do primeira perna do X pelo avesso. Passar a agulha por dentro da argolinha, trazer para perto do mesmo local em que saiu com a agulha – sem apertar – enfiar a agulha neste local e sair na posição correta para continuar a fazer os pontos. Ajuste a linha sobre tecido de modo a fazer a laçada correr para o avesso.

B- Arremate posterior

O arremate posterior é feito quando não se quer deixar nenhum ponto horizontal no avesso. Enfie a agulha longe do local em que vai começar a bordar e deixe uma ponta longa. Chegue no lugar de fazer o primeiro ponto vindo com a agulha do avesso para o direito. Faça todos os pontos, arremate a linha que está sendo usada. Pelo avesso, puxe a ponta que deixou no início, coloque na agulha e arremate do mesmo jeito que a linha usada para dar os pontos.

2 – Finais

Arremates são feitos sempre pelo avesso: deve-se aproveitar os pontos dados para passar a linha por eles; 4 ou 5 pontos são suficientes.
Cortar bem rente e não dar nós; não torcer nem enrolar a linha. Se o avesso tem carreiras de pontos verticais, arremate na vertical passando a agulha por dentro deles.(Veja item b).
Nunca arremate uma cor em outra, pode aparecer pelo direito.
Faça arremates finos, que não prejudiquem o direito, procurando pegar um pouco da trama do tecido.
É preferível pular até 3 pontos, desde que na horizontal ou na vertical, do que arrematar muitas vezes: quanto maior o número de arremates, pior o avesso.

A – Trama do tecido

Este tipo de arremate só pode ser feito em Etamine, cuja trama tem fios verticais e horizontais. Deve-se procurar passar com a linha nos locais em que a trama do tecido está na mesma posição que os pontos do avesso, verticais. De acordo com a figura acima, o arremate foi feito em escada, começando à esqueda, em cima, passando pela trama nos pontos em que os fios estavam verticais. É importante cortar bem rente o fio, no final do arremate.

B – Imitando o desenho dos pontos no avesso

Este tipo de arremate procura passar a linha pelos pontos dados, imitando sua posição. Assim, o fio é passado verticamente, pelos pontos existentes no avesso, imitando o desenho feito por estes pontos.

ALGUNS GRAFICOS:
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Responses

  1. MUITO BONITO O SITE QUERIA RECEBER NOVIDADES EM MEU E MAIL; MUITO OBRIGADA

    • Basta que vc. assine o feed que se encontra no lado direito na página principal e receberá em seu e-mail todas as atualizações, obrigado Kátia.

  2. ameiii,muito legal


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